
a UBA - universidade onde farei o mestrado - fechou as portas e soh reabrira em agosto. parece que todos os locais publicos tambem fecharao. eh estranho estar no centro da tal "pandemia" e nao sentir a crise. mas tah. nao tenho nada pra fazer aqui sem os lugares do governo abertos, sem escola de espanhol e sem apartamento. nha. e todos dizem: HAY QUE ESPERAR HASTA EL LUNES. enquanto esperamos, ouvimos musicas argentinas, sou roubada, fecho as malas, vou no pacha, como empanadas e cutuco os dedos dos pes.
a filosofia da amiga ellen se confirmou e eu jah vou voltar, santa maria, aih vou eu - de mascara, claro.
4 de Julho de 2009
hay que esperar hasta el lunes
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Carla Arend
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Marcadores: buenos aires, influenza, mimimi, mudanca, santa maria
certificado de denuncia

la comisaria de la seccional 23 hace constar que se labran caratuladas HURTO, sumario n 1996, ocurrido dia 04/07/2009, en horas 16:30, en thames y av. santa fe y guemes, resultando damnificado CARLA AREND (mimimimimi,mimimimimi,mimimimimi) siendo instrumento del delito UN BOLSO COLOR VERDE (com um broche bem bonito), UNA BILLETERA COLOR ROJA (bem linda, forrada com poas, que os amigos queridos me deram de presente), UNA CAMERA FOTOGRAFICA (com todas as fotos do dia feliz de ontem), UN CELULAR (que era emprestado do gabriel), TARJETAS DE CREDITO, MUCHA PLATA (nao porque soy tonta, mas porque ir na rodoviaria comprar passagem e precisava de muita plata), DOCUMENTO BRASILEIRO e o GUIAT, objeto del delito APODERAMIENTO INDEBIDO. La presente se extiende el dia 04/07/2009 a pedido del interesado.
e sim, ainda mandamos mensagem pro casal ladrao pendindo por gentileza que deixassem os documentos ecartoes em algum lugar, os bocabertas nem desligaram o aparelho. fico triste com esse tipo de coisa porque soh dah incomodo, cancelar cartoes, refazer identidade e mimimi. acaba com o dia das pessoas. tomara que esses delinquentes peguem a gripe porcina, nao morram, mas espirrem muito e tenham umas 5 noites de febre. e que deixem a camera cair e quebrar. e que sejam roubados e deixados nus. e que tenham espinhas internas no nariz. e verrugas nos pes. e percam todos os onibus a partir de hoje. e que alguem despeje azeite velho pela janela e caia em cima da cabeca deles. isso. tah bom.
:)
*entramos numa confeitaria onde tinha um casal e uma velhinha. pedimos. sentamos. comemos. quando levantei pra pagar a bolsa jah nao estava pendurada na cadeira. ninguem viu. rah. nao consigo desconfiar da velhinha.
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Marcadores: buenos aires, error, malasuerte, plaza serrano, roubo
2 de Julho de 2009
influenza
uma quinta, uma tarde, um mecssicano fajuto, uma argentina de mentirinha, webcams, a gripe suina, o emeesseene e dois amigos divertidos. rah. alegria! viva a tecnologia!
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Carla Arend
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Marcadores: buenos aires, puebla, vagabundagi
o tipo mala onda
eh o cara com quem as gurias dividem apartamento. quem sabe se eu fosse uma colombiana de 38kg ele nao se importasse em me deixar ficar uns dias pela casa. acontece que ele nem sabe meu nome, mal me cumprimentou e cobra a minha data de saida. nao estou aqui porque nao tenho dinheiro para estar em outro lugar, e sim porque estava buscando apartamento e me parecia logico ficar junto das minhas amigas queridas que morro de saudade e quero apertar um montao. mas enfim, amanha vou lah me juntar aos seis gatos. esta eh a semana de la dulzura aqui em buenos aires (todos trocam doces por beijos). ele vai ganhar uma barra de 500g de chocolate meio-amargo.
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Marcadores: brava, buenos aires, hospitalidadeportenha
1 de Julho de 2009
a saga do apartamento
como todo mundo sabe, estou procurando apartamento na cidade grande. na verdade, ja desisti do apartamento e agora busco um quarto em qualquer apartamento. mas a coisa nao eh exatamente simples.
pela internet, elegi uns trinta e cinco. devo ter trocado e-mail com todos eles. o problema mais recorrente eh que os donos nao aceitam visitas (de qualquer especie). como voces sabem, sou a socializacao em pessoa, entao, impossivel. outro problema sao as "mascotas". todo argentino tem, pelo menos, dois gatos eu um cachorro em casa. pra que? me diz?!
pra voces terem nocao, ontem visitei um quarto que era lindo. num apartamento daqueles classicos, com tres andares. o quarto fica na cupula, tem um banheiro recem reformado, com banheira e tudo lindo. muitos armarios, cama box, vidros duplos antiruido. lindo. a senhora dona muito simpatica, um arquiteto mexicano comendo laranjas na cozinha e SEIS, eu disse SEIS, gatos brincando entre o microondas e a torradeira. #fail
hoje visitei outros tres. impressionantes todos. me ajudem a escolher:
1) bairro do congresso (onde acontecem todas as manifestacoes - TODAS), esquina do congresso. com o endereco anotadinho e minha guiaT, chego lah toda inocente, vestida de mocinha e olho pra cima: o predio daquele estilo que tem urubus esculpidos nos cantos. meio sai de baixo com medo que alguma sacada desmoronasse sobre mim. interfonei: jah bajo, contestou a josephine. 6 minutos depois ela apareceu. lindissima, francesa. subimos eu, ela e a senhora que mora no porao (costureira e faxineira oficial do predio) em um elevador daqueles gradeados, que tu ve as cordas e se tiver um pouco apertado pro xixi se mija). chegamos ao segundo A. pe direito de cinco metros, meus olhos brilharam. existe gente no mundo que guarda mais cacareco que eu. sim. penas, plumas, almofadas, chairs, um globo de buatsy, mascaras de veneza, almofadas, filmes, quadros, tacas de vinho pela casa toda, cadeiras bonitas. enquanto eu admirava e tentava entender tudo o que tinha ali, a josephine conversava com a senhora do porao, explicando onde ele deveria encurtar as mangas do vestido e quanto da saia deveria subir. muito estilosa a moca. a casa eh desordenada, mas ajeitada. se endente? depois fomos pro quarto, onde tem ateh um piano. perguntei se o piano ficava, mas nao, o piano sai. a cama eh de casal, tem uma imensidao de armarios e gavetas. paredes decoradas. sacadinha - que tambem tive medo de pisar - chao de madeira sem acabamento. tudo naquele estilo: predio abandonado e ocupado por artistas. lindo. fiquei tao deslumbrada que nem visitei o banheiro. nesse apartamento pode-se receber visitas de qualquer especie, a qualquer hora e por tempo indeterminado. preco: mil. libera na metade do mes.
2) depois desse, me perdi um pouco, caminhei umas vinte quadras e tomei dois onibus ateh o apartamento de uma colombiana que vai sub-alquilar por dois meses. decimo quinto andar. avenida santa fe. estacao plaza italia. cobertura. a moca muito linda, o apartamento nem comento, todo bonito. ela me oferece o quarto da empregada e o banheiro que tem a ducha em cima do vaso por 1000dinheirosargentinos/mes. junto comigo ficara a prima, que trabalha o dia inteiro e nao eh ruidosa. eh proibido levar homens e fazer muito barulho. soh posso ficar dois meses. se ela conseguir mais alguem, a sala vai ser quarto desse alguem. me sobra o quarto da empregada, a ducha em cima do vaso e a micro-cozinha-pasillo. num predio rico. seguro. limpo e que s'o sera meu pordois meses. pensemos.
3) hostel: 450pesos por 15 dias. nao consegui encontrar. caminhei, caminhei e nao achei.
4) a casa do javier, segundo as gurias, meu futuro affair. fica 4 quadras daqui, o quarto tem banheiro e entrada privada. nele morariam mais 2 mocos que sao festeiros e tem dreads. dizem ser buena onda. esta bem localizado. custa 900/mes e posso receber visitas.
hoje de tarde visito mais um.
e amanha preciso vazar daqui. o rooooommmmaaaaaate das chicas me hecho. hahaha.
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Marcadores: apartamento, buenos aires, semteto, socorro
27 de Junho de 2009
atualizacao #buenosaires
nao tenho o que atualizar, eh sabado, 11h, tomei cafe e tou deitada no sofa branco olhando pro ceu azul lah fora. ainda nao tenho vontade turistica de sair pra lugar nenhum. o supermercado disco eh emocionante e eu estou sem acentos.
ontem teve festinha de boas vindas, as gurias tem uns amigos muito legais. o tulio, velho conhecido tomador de quilmes, veio. ainda bem que ninguem quis sair pra baladinha. hehehe.
que preguica de fazer qualquer atividade. tao boa essa vagabundagi.
ah, quebrei 5 copos ao mesmo tempo, lavando a louca. hahahahaha.... nha.
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25 de Junho de 2009
halls de melancia

e o primeiro post desde buenos aires. tou tossindo um pouco, menos do que ontem, em sao gabriel. nao eh gripe porcina, porque eh a mesma tosse seca e nervosa da semana passada - quando ainda nao tinhamos nenhum caso da influenza na santa maria. acabei de acordar, meio de susto, dormi duas horas no quarto das gurias - enquanto elas estudavam. agora a lu voltou e deveremos ir ao supermercado. ainda nao desci do apartamento - claro, estava lah embaixo antes de subir. buenos aires parece a mesma. talvez um pouco mais madura.
disseram algo como que, se a cidade nao muda pra gente, a gente muda pra ela. ou sonhei. mas achei bonito. nao mudar de se mudar, mas mudar de se adaptar. a cidade segue igual, sempre, as pessoas em seus estagios diferentes eh que vao e vem delas, construindo as paisagens e deixando memorias.
eu vou la antes de terminar o halls de melancia, porque as empanadas da tarde jah se diluiram no meu sistema digestorio, estou louca para caminhar pelas calcadas de palermo e deixar que as luzes das casas se acendam pra mim.
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21 de Junho de 2009
desapego [final]
com cuidado, retirei do armário os casacos que não saíam pra passear há mais de três anos, pendurei no varal pra que tomassem sol. não demorou muito pra que os perfumes acumulados neles trouxessem as histórias de borboletas, algodões doce e cachecóis alheios. não demorou muito, mas de qualquer forma, me apressei em acomodá-los no fundo de uma sacola de papel, pra que fossem aquecer outras garotas neste inverno.
eu não sei como estou fazendo, mas o meu armário já está metade vazio. eliminei as caixas secretas que continham brinquinhos, bilhetinhos, canetinhas e notas fiscais de eventos importantes. distribuí colares e anéis. vendi livros, lenços e guarda-chuvas. as apostilas e agendas foram pro lixo, junto com as camisetas velhas e a coleção de cartões de visita.
a gente nunca sabe, pode ser que na semana que vem eu esteja de volta, a gente nunca sabe. mas dessa vez eu quero ir com a garantia de que, ao voltar, terei espaço pra coisa nova.
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18 de Junho de 2009
Persona, Bergman
Pensa que não entendo? O inútil sonho de ser. Não parecer, mas ser. Estar alerta em todos os momentos. A luta: o que você é com os outros e o que você realmente é. Um sentimento de vertigem e a constante fome de finalmente ser exposta. Ser vista por dentro, cortada, até mesmo eliminada. Cada tom de voz, uma mentira. Cada gesto, falso. Cada sorriso, uma careta. Cometer suicídio? Nem pensar. Você não faz coisas desse gênero. Mas pode se recusar a se mover e ficar em silêncio. Então, pelo menos, não está mentindo. Você pode se fechar, se fechar para o mundo. Então não tem que interpretar papéis, fazer caras, gestos falsos… Acreditaria que sim, mas a realidade é diabólica (…).
Sabe medo de ver um filme? Eu tinha medo desse. Até que na madrugada de ontem me joguei duas vezes consecutivas. Foi uma experiência sublime. Precisava postar. Tem uma crítica excelente aqui.
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17 de Junho de 2009
A Viajante
Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.
Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.
Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.
Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.
Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.
Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.
Rubem Braga
Rio, abril de 1952.
Texto extraído do livro "A Borboleta Amarela", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963, pág. 145.
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Carla Arend
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16 de Junho de 2009
o fusca amarelo de bancos púrpura
às vezes preciso pressionar os dentes, as pálpebras e os dedos entre si.
essa atividade me condiciona a estar aqui, embora todos estejamos fartos de saber que logo não.
porque é assim que eu quero. e querer é permitido.
=}
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Carla Arend
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